segunda-feira, 29 de março de 2010

Leitura para artista plástico



Jorge Colombo desenha capa da 'New Yorker' no iPhone


O artista português que rumou aos EUA há 25 anos, depois de ter estado em 'O Independente', aderiu àquilo que no meio muitos já chamaram de "iPhone art", ainda por cima numa revista de referência, a 'The New Yorker'.
Jorge Colombo é o autor da ilustração da capa da revista The New Yorker desta semana, mas a sua maior originalidade é que foi pintada num iPhone.
Colombo é um artista português, radicado nos Estados Unidos, onde tem ilustrado diversas publicações. As primeiras colaborações com a The New Yorker datam de 1994.
Para o desenho "Finger Painting", o autor gastou uma hora em frente ao Museu de Cera de Madame Tussaud, na Times Square, em Nova Iorque, para desenhar pessoas junto de uma banca de venda de comida.
O iPhone tem a enorme vantagem de lhe permitir desenhar em locais com reduzida iluminação ou com muitas pessoas em redor que simplesmente julgam que ele está a mexer no telemóvel.
"A experiência que trazia de desenhar anos e anos com lápis, com pincel, com aguarela", "além de imensas explorações fotográficas", permitiram-lhe evoluir facilmente para o pequeno iPhone. "No fundo a arte é a mesma, a ferramenta é que muda ligeiramente", explicou por email, ao DN.
Colombo colocou as imagens à venda num site que foram descobertas por Françoise Mouly, editora de arte da revista. "Reconheceu nelas uma tradição de imagens 'observadas', que existia nas capas da New Yorker desde 1925" e, no futuro, os desenhos "vão passar a ter lugar regular no website".
Apesar da cobertura mediática nos Estados Unidos desde que foi revelada a imagem do ilustrador lisboeta (além da New Yorker e de publicações online dedicadas à tecnologia ou arte, o New York Times ou a ABC News escreveram ontem sobre o assunto), Colombo já tinha sido detectado em Março nas páginas de arte do The Guardian. O jornal britânico denominava as imagens de "delicadas e vívidos", enquanto o site Craziest Gadgets as apelidava de "fantásticos desenhos". Outros chegaram a sugerir tratar-se de fotografias.
Colombo adquiriu o iPhone em Fevereiro e, pouco depois, a aplicação Brushes. Já a conhecia: "os primeiros desenhos que vi foram de um artista francês chamado Stephane Kardos, bastante anteriores aos meus e muito bonitos", explica. Kardos é director de arte na Walt Disney.
O software custa quase cinco dólares e permite desenhar como se o dedo fosse o pincel (há outra aplicação semelhante, o Colors). Desde o seu lançamento em Agosto passado, já foi adquirido por mais de 40 mil pessoas, assegura o seu criador Steve Sprang.
Uma aplicação paralela, a Brushes Viewer, permite registar todos os passos dados na concretização de um desenho e exportá-lo como vídeo. A New Yorker tem precisamente um pequeno filme com a concepção da capa de Colombo, onde é notória a sua técnica para as imagens surgirem, em diversas camadas. "Tem de se desenhar o palco antes das personagens", explicou à ABC News.
Colombo é mais um dos artistas a aderir à já denominada "iPhone art". "O David Hockney, por exemplo - um dos meus pintores favoritos de sempre - também anda a fazer desenhos no iPhone", lembra Colombo. "Aos 72 anos!"
http://musgueira.blogspot.com/2009/05/jorge-colombo-desenha-capa-da-new.html



Arte feita no computador



Arte feita no computador

SÃO PAULO - Novas ferramentas para criar arte pelo computador dispensam mouse e teclado.
Quando a revista The New Yorker publicou sua edição de 1º de junho do ano passado, a arte da capa causou enorme repercussão. A ilustração, criada pelo artista Jorge Colombo, mostrava uma cena noturna idílica de um carrinho de cachorro-quente em Nova York. Todo o desenho foi feito com o aplicativo Brushes, em um iPhone. Tradicionalmente, computadores e artistas nunca foram melhores amigos. Então por que dessa vez o encontro deu certo?
A tela sensível ao toque do iPhone é a chave, diz Cathy Treadaway, do Instituto de Cardiff da Universidade do País de Gales, no Reino Unido. Segundo a pesquisadora, o display responde ao desejo dos artistas de usar as mãos para se expressar. “Uma das coisas que os artistas tentam fazer quando criam uma obra é comunicar um pouco de si, do seu conteúdo emocional”, diz. E as mãos são uma solução incrível para isso. “Elas são um canal que passa pelo corpo e sai para o mundo. É a maneira como estamos conectados.”
A experiência artística de Cathy mostrou que programas de computador e interfaces tradicionais, como o mouse e o teclado, só atrapalham. O uso desses dispositivos exige atenção a detalhes, como menus, e envolve micromovimentos com o mouse. “Isso faz nossos processos de pensamento trabalharem de modo bem diferente do que se estivéssemos criando com as mãos”, diz.
Ter de se concentrar em comandos de computador pode interferir seriamente nos padrões de pensamento de um artista, acredita Ann Marie Shillito, da Escola de Arte de Edimburgo, no Reino Unido. “É uma verdadeira barreira para a criatividade”, diz. “É por isso que muitos artistas e artesãos, como fabricantes de joias e móveis, abominam trabalhar no computador.” Como mostra a capa da The New Yorker, o cenário está mudando. O aplicativo Brushes, para iPhone, é parte de uma nova geração de tecnologias que permitem aos artistas usar programas que garantem movimentos mais naturais para criar.
Esculturas virtuais


As telas sensíveis ao toque não são a única maneira de fazer isso. Ann Marie lidera uma equipe que desenvolveu um software cujo objetivo está em permitir que artistas recebam feedback físico ao projetar objetos virtuais 3D. A ideia da equipe tem como base um dispositivo tátil chamado Falcon, que vibra e se move para permitir que usuários “sintam” objetos virtuais. Originalmente desenvolvido para jogos 3D, o Falcon é um cruzamento entre joystick e mouse.
À medida que o usuário interage com o controle em três dimensões, seus movimentos são espelhados na tela. Pequenos motores oferecem resistência e geram pequenas vibrações para dar feedback sobre várias propriedades do objeto virtual que está sendo projetado, como peso, textura e forma. “O que temos é a sensação de toque. Como isso é tão natural à nossa forma de interagir no mundo real, significa que podemos acessar o conhecimento que já temos de objetos 3D”, diz Ann Marie.
Daniel Keefe, artista e cientista da computação na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, está convencido de que tecnologias que permitem usar plenamente os sentidos físicos irão aumentar a criatividade na arte por computador. “Perdemos algo quando migramos do mundo físico para um mundo virtual criado apenas por programação.” Ele não acredita, no entanto, que o problema já tenha sido resolvido. “Quero ser capaz de criar com as mãos em um ambiente virtual. Hoje, esse ainda é um verdadeiro desafio.”
Keefe desenvolve o projeto Drawing on Air (“Desenhando no Ar”), em que artistas trabalham em um ambiente virtual 3D. Uma das mãos segura um dispositivo tátil chamado Phantom, enquanto a outra veste uma luva conectada a um computador. Enquanto uma mão define o ponto de início de uma linha, a outra faz o traçado. O dispositivo tátil dá o feedback sobre a textura da superfície, permitindo que o artista sinta a mesma resistência que teria ao usar uma tela ou uma folha de papel.
Argila digital


Abordagens ainda mais inovadoras estão sendo estudadas. Seth Goldstein e sua equipe da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, trabalham em um dispositivo 3D que pode ser manipulado fisicamente para criar obras de arte, da mesma forma que esculturas podem ser moldadas em barro. Chamado de argilotrônico (ou claytronics, em inglês), o aparelho consiste em uma bandeja contendo até 1 milhão de partículas, cada uma do tamanho de um grão de areia. O artista seria capaz de controlar a forma como elas grudam às suas vizinhas, permitindo que sejam moldadas.
A equipe diz que o dispositivo será programável, facilitando a alteração do comportamento do material para se parecer com argila ou aço. Embora ainda não tenha conseguido criar partículas do tamanho de grãos de areia, a equipe de Goldstein desenhou cilindros de cerca de 1 milímetro de diâmetro. Eles podem ser controlados para grudar uns aos outros usando forças eletrostáticas. “Interfaces como a argilotrônica vão ter efeito bastante transformador sobre a forma como nos expressamos pelo computador”, diz Goldstein.
Keefe concorda e diz que os artistas vão adotar estas técnicas principalmente porque vão conseguir fazer coisas em ambientes virtuais que são impossíveis na vida real. Eles poderiam, por exemplo, criar objetos em 3D que desafiem a gravidade. Goldstein imagina o dia em que uma interface argilotrônica poderá ser usada simultaneamente por diversos artistas para fazer uma escultura colaborativa. “Vai ser incrível”, diz.
Rosa em QR Code


Os pontos cardeais dão lugar a desejos humanos na Rosa Sensível (http://bit.ly/rosa-sensivel), obra virtual criada pela artista brasileira Martha Gabriel em QR Code. Vontades como casar, ter dinheiro, fazer amigos, viajar ou ganhar sabedoria formam o desenho, que só pode ser decodificado por meio de um smartphone com um software para leitura do código.

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