sábado, 15 de maio de 2010

O Brasil tem arte moderna ou artista

O que está errado não é a Arte Contemporânea, mas a incapacidade de críticos serem capais em avaliar uma obra de arte
Arte não é boa ou má porque é Contemporânea ou antiga. Ela é ou nãoé arte
SE perguntarmos a um crítico de Arte quais são os critérios técnicos objetivos que usam para desempenhar as suas funções na avaliação de uma obra, provável mente dará um belo discurso retórico, ideológico, filosófico, mas não responderá ao problema.  Sempre usa o gosto pessoal
Acho que a crise da Arte no Brasil passa pela falta de críticos realmente competentes. Existem alguns, mas poucos.
É uma pena porque tem que um critico da Europa ou dos estados unidos das America para avaliar a arte de um artista brasileiro para ele ter nome

artista plastico  fernando antonio







Veja esta leitura interessante sobre arte

A Permeabilidade na Crítica da Arte

Com ajuda da perspectiva histórica, vislumbramos o caminho traçado pelo artista contemporâneo. Em meio aos diversos ciclos percorridos, a arte permanece arte


Fachada de loja Louis Vuitton 'personalizada' por Takashi Murakami


Em uma atualidade em que reverberam discussões (já esgotadas) sobre o fim da arte, o caminho a ser tomado não deveria ser o da retórica infindável entre o sim ou o não, mas o dapermeabilidade com embasamento. Por permeabilidade, entenda-se a tolerância àquilo que se põe como quebra de paradigmas; e por com embasamento, conclui-se uma análise da expressão artística baseada não só no perfil e trabalho do artista como também no historicismo. É muitas vezes com ajuda da perspectiva histórica que vislumbramos o caminho traçado pelo artista contemporâneo, é assim que se percebe paralelos entre sua produção artística e a história da arte. Como afirma Rosalind Krauss, em seu artigo 'A Escultura no Campo Expandido':




O historicismo atua sobre o novo e o diferente para diminuir a novidade e mitigar a diferença. A evocação do modelo da evolução permite uma modificação na nossa experiência, de modo que o homem de agora pode ser aceito como diferente da criança que foi por ser visto simultaneamente como sendo o mesmo, através da ação imperceptível do telos.'


Muito além de analisar o objeto de arte, ser permeável baseando-se no historicismo, trata de enxergar a poética artística por trás de cada obra: o conteúdo, o pensar a arte contido no fazer arte. A arte é, antes de mais nada, inovação; e o novo mostra-se sempre difícil de ser aceito. Quando se mostra possível criar paralelos entre a arte no passado e a arte contemporânea, se demonstra que a linha histórica da arte permanece contínua. Em meio aos diversos ciclos percorridos, a arte permanece arte. Assim, discutir sobre seu fim surge como engano. Não existe uma quebra entre a criação antiga e a atual, pois os elementos da arte tradicional continuam presentes em meio a inovação — a história entra aí como uma das ferramentas para entender o novo. E é esta ferramenta com a qual crítica deveria se instrumentar para atuar em relação ao novo.

Faremos um passeio pelas novas expressões artísticas e, empregando o historicismo em nossa análise, criaremos paralelos entre a produção atual e a arte antes da morte da arte, deixando assim, uma linha de pensamento que questiona esse suposto falecimento através da crítica e do historicismo.

Como um facilitador da análise, usaremos um marco histórico — um momento de grande mudança na arte — a partir do qual se desenvolveram novos códigos de representação que direcionaram toda a criação artística dali em diante: a descoberta da perspectiva durante o Renascimento, a passagem da representação unidimensional para a bidimensional.

Unidimensionalidade

Distribuídas pela história da arte, existem muitas expressões pictóricas caracterizadas pela unidimensionalidade: uso de apenas uma dimensão como código de representação, expresso pela inexistência da perspectiva. Código este, que se põe tanto como uma inaptidão para representar o mundo como o vemos — como na Arte Rupestre — como um código de representação que pode estar a serviço da religião — como na Arte Bizantina.

Na arte contemporânea a unidimensionalidade coexiste em harmonia com a representação bidimensional; da mesma forma que esta foi, antes, empregada como código de representação religioso, é hoje utilizada também como um artifício artístico que define e caracteriza a identidade do artista. Um dos grandes representantes da arte planar na atualidade é o artista Takashi Murakami, que criou o termo Superflat para definir seu próprio estilo. Murakami, à semelhança do que fazia Andy Warhol em sua época, tem uma enorme produção artística em que nem tudo que idealiza é realizado por suas próprias mãos; o artista possui dois ateliês situados no Japão e EUA, que funcionam como a antiga Factory de Warhol, onde diversos artistas põem a mão na massa para dar vida às ideias do artista.





Interior de loja Louis Vuitton com estampas criadas por Takashi Murakami


Uma de suas mais controversas obras de arte, Superflat Monogram, o filme criado para a campanha publicitária da Louis Vuitton, explora de diversas formas o código de representação planar para criar um mundo fantástico que reflete muito da cultura japonesa e apropria-se dacultura de mídia para expressar o mundo da comunicação de massa. A controvérsia gerada pelo filme se deve ao fator comercial atribuído à obra; os críticos mais conservadores negam-se a atribuír-lhe qualquer caráter artístico por tratar-se de uma campanha publicitária para vender os produtos Louis Vuitton estampados pelo próprio artista. A ironia presente nesta discussão está representada no próprio filme, em que o celular (objeto de desejo e consumo) nas mãos da menina é engolido pelo enorme bichinho de Muramaki. Outra questão que põe em cheque a crítica mais conservadora — e menos permeável — é a relação de um mecenato nos moldes modernos entre o artista e a marca Louis Vitton; conhecida por sua forte ligação com o mundo da arte que persiste já há um século e meio.

http://www.youtube.com/watch?v=4C84FLwm3DA






Parte do afresco no teto da Capela Sistina, pintado por um dos maiores representantes do Renascimento: Michelangelo


Mais à frente na história da arte, chegamos ao momento de maior inovação na arte: a descoberta da perspectiva no Renascimento. É a partir da descoberta desta técnica que dá-se início a representação pictórica do mundo como realmente o vêmos. À perspectiva — visão tridimensional do mundo através de uma janela — atribui-se muitas das mudancas ocorridas na arte até hoje; a janela perspéctica abre novos caminhos para a descoberta de códigos de representação os mais diversos.

O chamado desencanto do século XIX que tomou ainda mais força no século XX, arruinou com a ideia do homem como centro do mundo, o homem que a tudo vê. Esse desencanto trouxe novas visões de mundo que são expressas na arte contemporânea pela ruptura com uma visão puramente realista do mundo. Este passa a ser então desconstruído através da visão dos novos artistas; a janela perspéctica e o brincar com os planos ganham novas formas e leituras. Um bom exemplo da janela perspéctica usada como código representativo da descontrução da visão de mundo está na arte de Regina Silveira, que atendendo ao convite para expor no Palácio de Cristal em Madrid brinca com os planos proporcionados pela estrutura de vidro do Palácio. Utilizando-se também da efemeridade proporcionada pela luz do sol que invade o ambiente, desconstrói a perspectiva real, e em seu lugar representa uma perspectiva criada e desenhada. O desafiador para a crítica nesta obra, se mostra na aplicação da pintura em uma base tridimensional — ultrapassando as possibilidades da da tela plana — e do caráter efêmero desta pintura com movimentos interrelacionados com a dinamicidade da natureza.





Blue Memory de Regina Silveira no Palácio de Cristal, Madrid - foto de jimboe_98






Blue Memory de Regina Silveira no Palácio de Cristal, Madrid - foto de jimboe_98


Outro artista destacado por uma inovação impressionante no emprego do código perspécticodesconstruído é Peter Greenaway. Em seu filme Prospero's Books o artista desconstrói não só a perspectiva real como também desconstrói a narrativa linear a que os livros e principalmente o cinema nos habituaram. Através da visualização de várias janelas que se sobrepõem podemos fazer múltiplas leituras do filme que cria uma metanarrativa sem começo, meio e fim. Para a crítica especializada, seu filme se mostrou como um enorme desafio — não sendo possível encaixar a obra como exclusiva expressão do cinema nem como exclusiva representação das artes visuais, esta mostra mais uma vez do que se trata a arte: da quebra de paradigmas.
http://www.youtube.com/watch?v=ovsxauCwOb0







O artista contemporâneo Michelangelo Pistoletto, em sua excêntrica performance na Bienal de Veneza de 2009, em que quebra um espelho a marteladas diante de uma curiosa platéia, também questiona o uso da perspectiva como código de representação de uma visão real do mundo. Ele afirma no discurso realizado antes da performance que por mais que quebre o espelho, este continuará a refletir; agora, pequenos pedaços do espelho estilhaçado no chão se tornam, cada um, uma janela perspéctica, uma visão de um novo mundo. Assim como no filme de Peter Greenaway, várias leituras e releituras podem ser feitas através de cada plano ou janela representados pelos estilhaços.

Para a crítica conservadora, há a inexistência de uma criação que precede a performance, tirando desta seu valor artístico. Não podemos esquecer que quando se fala de criação, de concepção, pode-se estar referindo-se a concepção de uma ideia ou pensamento, e não necessariamente a criação de algo visível. É deste preceito que surgem as expressões artísticas como a citada de Pistoletto: são as performances — que surgem sim de uma concepção que as precede; uma concepção poética que resulta na representação desta dentro de um determinado tempo, que pode ser apenas um instante como um tempo ampliado.

http://www.youtube.com/watch?v=Y2JwlFNUlg8

Postado por Daniela Blanco



Designer e ilustradora, e não menos, apaixonada por arte. Arte no seu sentido mais amplo: as habilidades de seduzir, fascinar, e enganar; que partem da busca por ideias de beleza e da expressão da subjetividade humana. E onde vejo essa arte? Na literatura, nas artes visuais, na música e até na filosofia. Mas há nisso tudo um ponto em comum e apaixonante: a possibilidade de apreender o que há de humano nessas expressões, compreender o ser humano através daquilo que ele tenta disfarçar…




obtido em   http://www.revistacapitu.com/index.asp




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